Painéis - VIII Congresso Associação Portuguesa de Antropologia | 8th APA Congress https://apa2022.apantropologia.org Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia Tue, 09 Aug 2022 10:49:16 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.5.7 https://apa2022.apantropologia.org/wp-content/uploads/2021/11/cropped-icon-min-32x32.jpg Painéis - VIII Congresso Associação Portuguesa de Antropologia | 8th APA Congress https://apa2022.apantropologia.org 32 32 k07 – O Património Cultural no Alentejo, nos novos anos 20: que desafios, incertezas e resistências? https://apa2022.apantropologia.org/k07-o-patrimonio-cultural-no-alentejo-nos-novos-anos-20-que-desafios-incertezas-e-resistencias/ Mon, 25 Jul 2022 20:00:03 +0000 https://apa2022.apantropologia.org/?p=4274 © Nicola Di Nunzio Coordenação: Ema Pires (IHC-UÉ e UFG, Brasil), Jorge Croce Rivera (CHAIA-UÉ), Marina Pignatelli (ISCSP-ULisboa) Participantes da Mesa: Carlos Pedro (DRC Alentejo), João Matias (Casa Museu do Cante- CMS), Paulo Lima (Investigador independente), Susana Bilou Russo (Do Imaginário – Ass. Cultural e CMÉ), Teresa Fernandes (ECT-UÉ) Convidados especiais: Ana Paula Amendoeira (DRC […]

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Vasilhas para azeite

© Nicola Di Nunzio

Coordenação: Ema Pires (IHC-UÉ e UFG, Brasil), Jorge Croce Rivera (CHAIA-UÉ), Marina Pignatelli (ISCSP-ULisboa)

Participantes da Mesa: Carlos Pedro (DRC Alentejo), João Matias (Casa Museu do Cante- CMS), Paulo Lima (Investigador independente), Susana Bilou Russo (Do Imaginário – Ass. Cultural e CMÉ), Teresa Fernandes (ECT-UÉ)

Convidados especiais: Ana Paula Amendoeira (DRC Alentejo), Clara Bertrand Cabral (Unesco- MNE), Clara Saraiva (APA e ICS), Filipe Themudo Barata (UÉvora), Florival Baiôa (Movimento Beja Merece +), Hugo Guerreiro e Isabel Borda d´Água (CMEstremoz), José Rodrigues dos Santos (CIDEHUS) , Luis Ferro (Grupo Pró-Évora), Pedro Prista (Iscte-IUL), Rita Jerónimo (DGPC), Rui Arimateia (CMÉvora) e Teresa Albino (DGPC).

O Património Cultural no Alentejo, nos novos anos 20: que desafios, incertezas e resistências?

APA – UÉvora – 6 de Setembro 2022, 16h30 – 18h30

Resumo:

A realização do 8º Congresso da APA foi tida como uma boa ocasião para debater o Património Cultural no Alentejo. Numa década que se inicia com uma pandemia mundial, uma guerra na Europa e uma seca nacional, a realização de uma Mesa Redonda sobre este tema revela-se especialmente pertinente e reunirá especialistas da área da antropologia para o debater de modo abrangente. Serão focados de modo reflexivo e baseado em experiências e perspetivas de profissionais e investigadores da área do Património Cultural Alentejano, diversos assuntos com ele relacionados, nomeadamente, os desafios e incertezas que enfrentam, a (in)visibilidade dos antropólogos no trabalho com o Património Cultural, ou os constrangimentos que enfrentam estes profissionais nos processos de patrimonialização. Sendo uma iniciativa aberta à comunidade, todos/as serão bem-vindos/as para nela participarem de forma ativa e construtiva.

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k06 – Restituições no panorama português https://apa2022.apantropologia.org/k06-restituicoes-no-panorama-portugues/ Sun, 12 Jun 2022 18:17:27 +0000 https://apa2022.apantropologia.org/?p=3873 Maria Cardeira da Silva é Professora Associada no Departamento da NOVA FCSH e investigadora do CRIA. Tem desenvolvido trabalho em contextos Árabes e Islâmicos, mas também em Portugal, fazendo pesquisa sobre Islão, Género, Património e Turismo.Desenvolveu o seu interesse e investigação pelo património de origem portuguesa no âmbito das duas edições do Projeto Castelos a Bombordo (FCT 2006-2012) […]

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Maria Cardeira da Silva é Professora Associada no Departamento da NOVA FCSH e investigadora do CRIA. Tem desenvolvido trabalho em contextos Árabes e Islâmicos, mas também em Portugal, fazendo pesquisa sobre Islão, Género, Património e Turismo.
Desenvolveu o seu interesse e investigação pelo património de origem portuguesa no âmbito das duas edições do Projeto Castelos a Bombordo (FCT 2006-2012) que coordenou e, como investigadora Sénior do Projeto ERC CAPSAHARA (2017-2021) analisou, para além de questões de género e feminismo, os processos de patrimonialização e os museus espontâneos no deserto da Mauritânia.
É membro do Grupo de trabalho de Património Imaterial da UNESCO em Portugal.
Recentemente publicou “Sustainable emotions: the front and backstages of slavery in Gorée Island. Etnográfica. Volume 25 :2. p. 437-464.

Foi Investigadora e Curadora das Exposições:
*Fora do Padrão: Lembranças da Exposição de 1940. CRIA /Padrão dos Descobrimentos/EGEAC/FCSH-UNL, 2016.
*Are You a Tourist. CRIA /Padrão dos Descobrimentos/EGEAC/FCSH-UNL, Lisboa, 12 de Julho a 15 de Dezembro 2019.
*Enchanted Places, Heritage Spaces. 2020, CRIA/ Museu Nacional de Etnologia, ainda em exibição, no âmbito do Projeto HERA HERILIGION de que participou com investigação sobre Mértola.

Património: apropriação, reparação e restituição

Maria Cardeira da Silva (coord.),
Manuela Ribeiro Sanches, Paulo Costa, Rosa Melo

Resumo:

O pensamento crítico sobre o património, bem como alguns movimentos ativistas, têm já evidenciado de forma profícua o princípio de apropriação que lhe subjaz. Nesta mesa-redonda queremos, contudo, focalizar-nos de forma concreta e operacional em torno de três questões:

 1) Seremos capazes de encontrar argumentação e respostas às formas de apropriação que o património engendra sem recorrer aos seus próprios pressupostos que assentam, frequentemente, em ideias essencialistas e reificadas de cultura, comunidade e nação?

 2) Que soluções compensatórias efetivas podem encontrar-se, no caso português, para as demandas de reparação e/ou restituição?

 3) Deve esta discussão centrar-se exclusivamente num quadro pós-colonial e internacional, ou levar-nos a pensar conjuntamente noutras assimetrias e eventuais formas de democratização e possível redistribuição do património?

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Manuela Ribeiro Sanches é professora aposentada da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. O seu interesse por literatura de viagens levou-a a alargar a sua área de pesquisa ao campo da história da antropologia, em articulação com os estudos culturais, a partir de uma perspetiva pós-colonial, tendo-se dedicado ao estudo dos efeitos e repercussões, até ao presente, dos processos de (des)colonização a nível cultural e político. Organizou os volumes Deslocalizar a Europa. Antropologia, Arte, Literatura e História na pós-colonialidade e Portugal não é um país pequeno. Contar o ”Império” na pós-colonialidade, Livros Cotovia), Malhas que os impérios tecem – Textos anticoloniais, contextos pós-coloniais, Edições 70), entre outros. Mais recentemente publicou uma tradução anotada dos Escritos políticos e psiquiátricos de Frantz Fanon (Lisboa, Book Builders 2021).

Paulo Ferreira da Costa, antropólogo, é Diretor do Museu Nacional de Etnologia desde 2015. Na Direção-Geral do Património Cultural desempenhou funções de Chefe da Divisão do Património Imóvel, Móvel e Imaterial (2012-2014). Foi Diretor do Departamento de Património Imaterial do Instituto dos Museus e da Conservação (2007-2012) e Diretor de Serviços de Inventário do Instituto Português de Museus (2002-2007). Trabalhou no Museu Nacional de Etnologia entre 1993 e 2001.

Rosa Melo é angolana, Doutorada em Antropologia pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE). Desenvolveu projectos de pós-doutoramento sediados no Instituto de Investigação Científica e Tropical (IICT), em Lisboa, e na Indiana University (EUA). Tem o Sul de Angola como espaço privilegiado de pesquisa. Trabalha sobre questões de identidade, nomeadamente étnica, de poder e de género, entre os Handa. Preocupa-se com questões que se prendem com as emoções, a medicina tradicional e etno-farmacopeia handa, bem como com as implicações da guerra pós-independência nas práticas mortuárias e de luto. O Poder Tradicional, em Angola, constitui outro dos seus interesses de pesquisa. Tem leccionado em diferentes instituições do Ensino Superior, em Angola e foi, durante vários anos, Directora Nacional das Comunidades e Instituições do Poder Tradicional, primeiro, no Ministério da Cultura e, depois, no Ministério da Cultura Turismo e Ambiente.

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k05 – Do que falamos quando falamos de antropologia? https://apa2022.apantropologia.org/k05-do-que-falamos-quando-falamos-de-antropologia/ Sun, 12 Jun 2022 18:07:27 +0000 https://apa2022.apantropologia.org/?p=3866 Ema Pires Departamento de Sociologia, Universidade de Évora, Portugal; Universidade Federal de Goiás, Brasil Francisco Curate Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra, Portugal. É licenciado em Antropologia, mestre em Evolução Humana e doutorado em Antropologia Biológica, investigador no Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) […]

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Ema Pires Departamento de Sociologia, Universidade de Évora, Portugal; Universidade Federal de Goiás, Brasil

Francisco Curate Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, Departamento de Ciências da Vida, Universidade de Coimbra, Portugal. É licenciado em Antropologia, mestre em Evolução Humana e doutorado em Antropologia Biológica, investigador no Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, e professor convidado no Instituto Politécnico de Tomar. É autor de diversos trabalhos nas áreas da bioarqueologia, paleopatologia e antropologia forense, e tem investigado a saúde esquelética, a perda de massa óssea e as lesões traumáticas em amostras arqueológicas e coleções osteológicas de referência. A variabilidade esquelética humana como tópico de investigação é um derivado natural de seu interesse pela saúde óssea, e inclui o desenvolvimento de métodos para a estimativa do sexo biológico e idade à morte através de experiências inovadoras que tiram proveito da potencialidade tecnológica dos aplicativos online, machine-learning e imagiologia médica.

Do que falamos quando falamos de antropologia? Encontros com a alteridade em nós

Ema Pires
e Francisco Curate

Resumo:

Uma certa personagem camiliana afirma, não sem alguma aspereza, que «o “conhece-te” do filósofo antigo é uma tolice», e conclui o seu parecer interrogando: «Quem é que se conhece?». É a partir desta questão que propomos este diálogo entre a antropologia social e a antropologia biológica, uma espécie de desconfinamento epistemológico que, longe de ser um exercício científico, arriscará promover o conhecimento do Outro em nós. Como é lógico supor, este ensaio em modo de conversa não representa todas as pessoas que fazem antropologia (biológica, social, cultural, o que quiserem), mas apenas uma antropóloga (social) e um antropólogo (biológico). É, pois, um debate pessoal, porventura não generalizável além das nossas próprias perspetivas e experiências. Ainda assim, o desconhecimento mútuo é um erro que se prolonga há demasiado tempo, e de ora em diante o nosso modo de errar poderá e deverá ser outro. E se é inegável que cada província do saber antropológico possui os seus próprios terrenos, mais ou menos delimitados, que isso não lhe limite o acesso ao baldio, ao tentador campo comum ético, teórico e metodológico. Todas as questões humanas se encontram emaranhadas umas nas outras numa treliça indecifrável por clausuras disciplinares obsoletas. A única possibilidade que resta é a recuperação do hibridismo possível, de uma antropologia, polifónica e fragmentada, cujo corpo possui um perfil indefinido. A antropologia pode contradizer-se e, tal como Whitman, conter multidões.

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k04 – E se o Passado Teimar em Não Bastar? https://apa2022.apantropologia.org/k04-e-se-o-passado-teimar-em-nao-bastar/ Sun, 12 Jun 2022 17:53:18 +0000 https://apa2022.apantropologia.org/?p=3857 Ana Rita Alves (CES-UC) | É antropóloga e doutoranda no Centro de Estudos Sociais (CES-UC). Foi bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e, mais recentemente, uma das 2020-2021 Black Studies Dissertation Scholar da Universidade da Califórnia Santa Bárbara. O seu trabalho centra-se na análise crítica da interseção entre racismo institucional, território […]

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Ana Rita Alves (CES-UC) | É antropóloga e doutoranda no Centro de Estudos Sociais (CES-UC). Foi bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e, mais recentemente, uma das 2020-2021 Black Studies Dissertation Scholar da Universidade da Califórnia Santa Bárbara. O seu trabalho centra-se na análise crítica da interseção entre racismo institucional, território e habitação, materializando-se, até ao momento, num conjunto de publicações, em particular do livro Quando Ninguém Podia Ficar: Racismo, Habitação e Território (Tigre de Papel, 2021), comunicações e colaborações em diversos projetos de investigação. É cofundadora do “CHÃO – Oficina de Etnografia Urbana” que, em conjunto com a Associação de Desenvolvimento Social de Vale de Chícharos, tem desenvolvido uma cartografia social e aulas de alfabetização e português língua não materna no bairro da Jamaika. Tem colaborado, em solidariedade, com coletivos e moradores de bairros autoproduzidos e de realojamento, repositórios, por excelência, da violência institucional.

E se o Passado Teimar em Não Bastar? Fantasmas, Racismo e Produção de Conhecimento

Ana Rita Alves (coord.),
Cayetano Fernández, Cristina Roldão, Miguel Vale de Almeida

Resumo:

Há cem anos atrás, nascia, em Nova Iorque, o Harlem Renaissance – um dos mais importantes movimentos culturais Afro-Americanos do século XX – ilustrando de forma paradigmática a urgência de criar espaços de vida negra ante políticas de morte. De facto, quando o racismo se configurou historicamente como a produção e a exploração da vulnerabilidade de populações negras, indígenas ou Roma/ciganas à morte prematura (Gilmore, 2007), a resistência é condição essencial de existência, dos Estados Unidos ao Brasil, de França a Portugal. Porém, tanto os termos da opressão racial como a sua contestação têm sido veementemente despolitizados e silenciados através da manutenção de um sistema de privilégio epistémico, de um projeto de conhecimento (Silva, 2007) que sustenta e autoriza a violência racial – legal ou extralegal – como forma de governamentalidade. É deste modo que, quotidianamente, o terror racial se abate sobre tetos e corpos na Amadora ou em Santo Aleixo da Restauração ou sobre corações encarcerados que deixam de bater em Tires ou no Linhó. Pese embora a violência racial seja gramática das democracias contemporâneas e um conjunto de trabalhos académicos se debrucem sobre espaços, vidas e instituições profundamente marcadas pelo capitalismo racial, a raça como lente de análise ou o racismo como processo de gestão estrutural e institucional têm estado, em larga medida, ausentes do debate académico, em Portugal. A esta ausência soma-se ainda a obliteração da produção de intelectuais não-brancos, como W. E. B. Du Bois, C. L. R. James ou Faye Harrison, do cânon de disciplinas como a Sociologia, a História ou a Antropologia.
Esta Conversa a Sul procurará – em diálogo com o conhecimento produzido no espaço académico e de militância política – contribuir para desafiar os termos da discussão eurocêntrica norteada pela branquitude como sistema de privilégio epistémico e debatendo as suas consequências na vida quotidiana de populações Roma/ciganas, negras e migrantes.

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Cayetano Fernández é investigador no Centro de Estudos Sociais (CES), atualmente integrado no projeto POLITICS – A política anti-racismo na Europa e América Latina: produção de conhecimento, tomada de decisões e lutas coletivas, particularmente na corrente de investigação “Culturas acadêmicas e Universidades Estatais: o estudo do racismo e do colonialismo no ensino superior”. Em colaboração com a Universidade de Granada (Espanha) e outras entidades, tem trabalhado em várias investigações relacionadas com os Roma em diferentes campos, como o acesso à educação da comunidade Romani, o processo de migração dos Roma da Europa Oriental para a Europa Ocidental, o papel histórico dos Romanies envolvidos na Guerra Civil Espanhola, e o estatuto contemporâneo da língua Romaní como construtor de identidade política entre os Roma espanhóis. Atualmente está inscrito no Programa de Doutoramento “Direitos Humanos nas Sociedades Contemporâneas” na Universidade de Coimbra e o seu tema de investigação centra-se no racismo na Academia, em particular, no anti-ciganismo produzido no campo dos chamados Romani Studies. Anteriormente, como bolseiro de investigação, conduziu investigação no departamento de Estudos Nativos Americanos da Universidade Estadual de Montana (EUA) e como bolseiro de doutoramento no departamento de Sociologia e Antropologia Social da Universidade da Europa Central (Hungria). Atualmente, faz parte da organização decolonial Romani Kale Amenge, um projeto que visa ligar a produção de conhecimento sobre a luta antirracista romaní e a intervenção política.

Cristina Roldão (Socióloga, ESE-EPS e ISCTE – IUL) | Socióloga, professora convidada da ESE-IPS e investigadora no CIES-IUL. As desigualdades sociais perante a escola são o seu principal domínio de pesquisa, com particular enfoque nos processos de exclusão e racismo institucional que tocam os afrodescendentes na sociedade portuguesa. Destaque-se a coordenação do ciclo de debates e curso de formação Roteiro para uma Educação Antirracista (2019), a participação no projecto “Caminhos escolares de jovens africanos (PALOP) que acedem ao ensino superior” (2015) e a participação no “Grupo de Trabalho para as Questões Étnico-Raciais – Censos 2021” (2018/19). Para além da produção científica neste domínios, tem participado no debate público alargado sobre o racismo e desigualdades étnico-raciais na escola e sociedade portuguesa. 

Miguel Vale de Almeida (Antropólogo, CRIA e ISCTE-IUL) | Doutorado em Antropologia, é professor catedrático no ISCTE-IUL e investigador do CRIA, onde dirigiu, até 2015, a revista Etnográfica. A sua pesquisa com trabalho de campo em Portugal, Brasil, Espanha e Israel/Palestina tem versado questões de género e sexualidade, bem como etnicidade, raça e pós-colonialismo. Tem vários livros publicados em Portugal e no estrangeiro, destacando-se Senhores de Si: Uma Interpretação Antropológica da Masculinidade, Um Mar da Cor da Terra: Raça, Cultura e Política da Identidade, Outros Destinos: Ensaios de Antropologia e Cidadania, A Chave do Armário. Homossexualidade, casamento, família e o mais recente Aliyah. Estado e Subjetividade entre Judeus Brasileiros em Israel/Palestina. Além de cronista e comentador, tem sido activista dos direitos LGBT e foi eleito Deputado à Assembleia da República em 2009, tendo estado envolvido na aprovação do casamento igualitário.

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k03 – Reflexões em torno de ‘Sul/Norte’ em Portugal https://apa2022.apantropologia.org/k03-reflexoes-em-torno-de-sul-norte-em-portugal/ Sun, 12 Jun 2022 17:42:14 +0000 https://apa2022.apantropologia.org/?p=3850 Matança de porco, Seixas – Vinhais 1976 – Brian O’Neill à direita Brian Juan O´NeillInstituto Universitário de Lisboa – ISCTE-IULInvestigador Sénior do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia)Co-fundador do CEAS (Centro de Estudos de Antropologia Social) em 1986Professor Catedrático Jubilado, Departamento de Antropologia Brian Juan O’Neill é antropólogo com licenciatura e mestrado em […]

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Matança de porco, Seixas – Vinhais 1976 – Brian O’Neill à direita

Brian Juan O´Neill
Instituto Universitário de Lisboa – ISCTE-IUL
Investigador Sénior do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia)
Co-fundador do CEAS (Centro de Estudos de Antropologia Social) em 1986
Professor Catedrático Jubilado, Departamento de Antropologia

Brian Juan O’Neill é antropólogo com licenciatura e mestrado em Literatura, formado em Columbia, Essex e a London School of Economics, tendo migrado a Portugal em 1982. Colaborando com a revista Critique of Anthropology nos seus primeiros anos, um espírito crítico marcado tem desde sempre impregnado a sua investigação, ao longo de três períodos de trabalho de campo: contos populares na Espanha (Galicia 1973/1975), etnografia do Mediterrâneo em Portugal (Trás-os-Montes 1976-78) e comunidades crioulas com legados portugueses no Sudeste Asiático (Malaysia 1994-2009). As suas publicações principais incluem: Proprietários, Lavradores, e Jornaleiras: Desigualdade Social numa Aldeia Transmontana 1870-1978 Dom Quixote 1984 (Social Inequality in a Portuguese Hamlet Cambridge University Press 2009 online [1987]), Lugares de Aqui (org. com Joaquim Pais de Brito) Etnográfica Press 2020 online [1991], e Antropologia Social – Sociedades Complexas Universidade Aberta 2006.
A sua pesquisa posterior focou histórias de vida biográficas, e a categoria da Eurásia dentro da área disciplinar da ‘história global’. Os seus trabalhos recentes descontroem a noção dúbia de que o chamado bairro português de Malaca seja de facto mesmo ‘português’, propondo que antes seja uma relíquia fantasmagórica projetada atrás no tempo durante as décadas finais do Estado Novo. Quem visitar este bairro euro-asiático poderá inalar algo da antiquada atmosfera kitsch que ainda o permeia hoje, duas décadas após o término retardado do terceiro império português em 1999.

Caianca preparations for the festa include the resident anthropologist, Denise, participating

Denise Lawrence-Zúñiga
Professora Emérita
Departamento de Arquitetura e Lyle Center for Regenerative Studies
California State Polytechnic University
Pomona, CA
Co-fundadora da rede Space and Place Network, AAA

Denise Lawrence-Zúñiga, doutorada pela Universidade da Califórnia Riverside em 1979, é antropóloga sociocultural cujo ensino em arquitetura tem focado o estudo dos seres humanos e as suas relações com os meios ambientes naturais e construídos. A sua pesquisa foca a arquitetura vernacular e contemporânea, a preservação histórica e o consumo doméstico de recursos. Efetuou investigação no Sul rural de Portugal, aprofundando as relações que as pessoas estabelecem com os seus meios ambientes domésticos a paisagens naturais através de relações mutuamente fortalecidas. Construindo uma casa nova ou remodelando uma casa velha encarna o imaginário de uma nova identidade e estilo de vida. No sul da Califórnia, nas comunidades de Pasadena, Alhambra, Monrovia, Ontario e Riverside investigou de modo semelhante as decisões dos residentes em desenhar as remodelações das suas casas antigas, e como as suas escolhas chegam a fazer parte da construção das suas identidades. Publica em antropologia, tendo coorganizado House Life: Space, Place and Family in Europe (Berg 1999) e The Anthropology of Space and Place (Blackwell 2003). É também autora de Protecting Suburban America Gentrification, Advocacy and the Historic Imaginary (Bloomsbury 2016).

Reflexões em torno de 'Sul/Norte' em Portugal

Brian O’Neill
e Denise Lawrence-Zúñiga

Resumo:

Neste dueto propomos orquestrar algumas reminiscências musicais sobre a atmosfera e as vicissitudes que caracterizaram os nossos trabalhos de terreno antropológicos no Sul e Norte de Portugal em meados dos anos 70. Evitando uma abordagem globalista ‘Norte/Sul’ seguidora de uma direção decrescente de tipo imperialista sugestiva da Reconquista, começamos no Sul rumo ao Norte. As nossas reflexões sinfónicas avançam em quatro andamentos. A primeira melodia pergunta: PORQUÊ PORTUGAL? As paisagens lusitanas naquela década afiguravam-se como profundamente misteriosas, uma incógnita ignorada por estrangeiros, com as exceções de Callier-Boisvert, Riegelhaupt e Willems. E – perdoem o termo – o país parecia exótico. Até a própria língua soava romântica. Quer baseadas em latifúndios, quer em minifúndios, as duas extremidades do país suscitavam atenção. Uma segunda melodia toca com outro ritmo: QUANDO CHEGÁMOS? A Revolução dos Cravos de 1974 forneceu outra razão ainda mais intensa para a nossa escolha de Portugal como localidade de trabalho de campo. Como se podia situar o cisma do 25 de Abril na jovem antropologia anglo-americano-francesa do chamado ‘Mediterrâneo’? Será que nos influenciou também o ano de 1968, com os seus protestos estudantis em Berkeley, Columbia e Paris? Em 1975 e 1976 respetivamente, Denise e Brian reuniram com Jorge Gaspar e Benjamim Pereira, para mergulharem em mapas. Tiveram um segundo mergulho então no Alentejo e Trás-os-Montes. A terceira melodia toca num registo regional: SUL/NORTE. Leituras preliminares incluíam Jorge Dias, Silva Picão, Veiga de Oliveira e Cutileiro (cuja monografia de 1971 inspirou ambos). Juntámos à orquestra de folclore, cultura material, festividades e costumes? As nossas etnografias tomaram outro rumo, nomeadamente ao mundo das casas (Denise), dos bastardos (Brian) e das matanças dos porcos (Denise e Brian). E ainda: questionámo-nos como a Revolução estava a influenciar de forma oposta os ‘nossos’ terrenos. Como começar a desembaraçar as diferenças entre o sul e o norte de Portugal? Uma quarta melodia: PESQUISAS E EXPERIÊNCIAS POSTERIORES. Quais as melodias que se seguiram às permanências no terreno? Como se incorporou Portugal dentro da antropologia norte-americana? O que era, de facto, a ‘Antropologia Europeia’ nos anos 80 e 90? Que elos se estabeleceram com a nossa investigação posterior, sobre Espanha e Califórnia, bem como sobre Malaca e as ruínas crioulas do terceiro império português? Porque havia tanta recetividade aos nossos contributos, desde os anos 70 até hoje? Terá tido razão Edward Bruner? Haverá necessidade em separar – de modo quase bipolar – as inclinações objetivas-cum-científicas da/do antropóloga/o dos seus sentimentos subjetivos-cum-experienciais? Esperamos que alguns pensamentos reflexivos semelhantes sobre conexões internacionais continuadas possam ser estimulados por estas melodias melífluas em batida allegretto.

Figura 1 View of Seixas 19

Figura 3- Castle-and-Church-–-the-Classic-Profile-of-the-Alentejan-Town

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k02 – Transformações no Alentejo https://apa2022.apantropologia.org/k02-transformacoes-no-alentejo/ Sun, 12 Jun 2022 16:58:38 +0000 https://apa2022.apantropologia.org/?p=3836 Cristiana Bastos (PhD CUNY 1996) é antropóloga e o seu trabalho intersecta as disciplinas de antropologia, história e estudos sociais de ciência, tecnologia e medicina. É investigadora do quadro do Instituto de Ciências Sociais e ensinou noutras unidades da Universidade de Lisboa, ISCTE, Universidade de Coimbra, Brown, Universidade de Massachusetts, UNICAMP, UERJ, etc. Trabalhou em […]

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Cristiana Bastos (PhD CUNY 1996) é antropóloga e o seu trabalho intersecta as disciplinas de antropologia, história e estudos sociais de ciência, tecnologia e medicina. É investigadora do quadro do Instituto de Ciências Sociais e ensinou noutras unidades da Universidade de Lisboa, ISCTE, Universidade de Coimbra, Brown, Universidade de Massachusetts, UNICAMP, UERJ, etc. Trabalhou em temas de dinâmicas de população, mobilidades transnacionais, biopolíticas coloniais, medicina e império, história social da saúde e bem-estar, com pesquisa de campo e arquivo em Portugal, Brasil, Estados Unidos e Goa. Actualmente coordena o projecto The Colour of Labour – the racialized lives of migrants (ERC AdG 695573), onde está directamente envolvida nas linhas de pesquisa sobre a Guiana/Suriname, Hawaii, Nova Inglaterra e Angola. Os seus trabalhos estão disponíveis em https://cristianabastos.org/ , http://colour.ics.ulisboa.pt/ , https://lisboa.academia.edu/CBastos e outras plataformas públicas.

O Alentejo no Plantationoceno: longa duração e transformações recentes na paisagem física e social

Cristiana Bastos (coord.),
Catarina Barata, André Paxiuta e Pedro Prista

Resumo:

Nesta sessão vamos pôr em diálogo vários investigadores que nos últimos anos têm testemunhado, analisado, estudado e documentado as transformações na paisagem física e humana do Alentejo. Para além de descrever a materialidade dessas transformações – que envolvem novos usos da terra e da água, de investimentos e créditos, de incrementos de produção em escala como estufas e novas espécies, e, de maior interesse para a antropologia, de reconfiguração demográfica e étnica consequente dos novos fluxos de trabalho migrante – propomos trazer para a discussão alguns dos desenvolvimentos conceptuais dos estudos de “plantação” e dialogar com o cenário do “plantationoscene.” A discussão pretende-se participada e ancorada localmente, uma vez que o Alentejo é por excelência o lugar onde se conjugam a persistência da plantação/latifúndio/monocultura e a rápida transformação do meio físico e social.

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Catarina Barata é doutoranda em Antropologia no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), com uma tese sobre perspetivas, discursos e representações acerca de experiências de violência obstétrica. Residente em Odemira desde 2011, tem acompanhado de perto as profundas mudanças no território e trabalhado, na região, sobre questões de património local, projetos de arte participativa e migrações. Fez parte do grupo de reflexão acerca da criação do Museu de Odemira (2012-13), coordenado por Pedro Prista, sendo autora do artigo referente aos estudos antropológicos acerca da região (“Antropologia”, no volume Atas do Colóquio Ignorância e Esquecimento, 2016). É membro da direção da Associação Terra Batida (com sede em Odemira) e da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto (APDMGP).

André Paxiuta é fotógrafo documental e Doutor em Geografia pela Universidade de Lisboa. Desenvolve narrativas visuais com foco na condição humana, em confrontos sociais, migração e saúde pública, nas suas interdependências com o mundo natural e as suas mutações no espaço e no tempo. É autor do livro Oil Dorado.

Pedro Prista (n. Lisboa 1955). Frequentou a Faculdade de Direito entre 1972 e 1976 e licenciou-se em Ciências Sociais e Humanas na Universidade Nova de Lisboa em 1979. Em 1982 concluiu o DEA em Etnologia na Universidade de Nice e, desde 1984 é professor no Departamento de Antropologia do ISCTE, onde se doutorou em 1994 com uma tese sobre morfologias e processos sociais no Alto Barrocal Algarvio.
A sua actividade enquanto investigador formou-se junto da equipa do Museu de Etnologia nos anos 70 e tem incidido sobre a sociedade portuguesa e as suas mudanças, tais como a emigração, o turismo ou os impactos das alterações climáticas e as problemáticas antropológicas que envolvem. Tem trabalhado sobretudo no Sul do país e sobre Património Etnológico, os seus legados e políticas culturais, com destaque para temas de arquitectura vernacular e museus.
Em 2013 coordenou o colóquio “Ignorância e Esquecimento” e a publicação das “Actas do Colóquio Ignorância e Esquecimento” (Câmara Municipal de Odemira, Odemira).
Em 2014 publicou “Terra, Palha, Cal. Ensaios de antropologia sobre materiais de construção vernacular em Portugal” (Argumentum, Lisboa).
É investigador integrado do CRIA-IUL e investigador associado do ICS-UL.

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k01 – A antropologia do possível https://apa2022.apantropologia.org/k01-a-antropologia-do-possivel/ Sat, 11 Jun 2022 10:56:07 +0000 https://apa2022.apantropologia.org/?p=3801 João Pina-Cabral é Investigador Coordenador em Antropologia Social no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Professor Emérito na Escola de Antropologia, Geografia e Ambiente da Universidade de Kent (RU). Foi co-fundador e presidente da Associação Portuguesa de Antropologia e da Associação Europeia de Antropólogos Sociais. Realizou extenso trabalho de terreno em Portugal, […]

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João Pina-Cabral é Investigador Coordenador em Antropologia Social no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Professor Emérito na Escola de Antropologia, Geografia e Ambiente da Universidade de Kent (RU). Foi co-fundador e presidente da Associação Portuguesa de Antropologia e da Associação Europeia de Antropólogos Sociais. Realizou extenso trabalho de terreno em Portugal, Macau, Moçambique e Bahia. Principais obras: Filhos de Adão, Filhas de Eva (trad. port., D. Quixote 1989), Os contextos da antropologia (Difel 1991), Aromas de Urze de Lama (2ª ed, ICS 2008), Em Terra de Tufões (Instituto Cultural de Macau 1993), O homem na família (ICS 2003), Between China and Europe (Berg 2002), Gente Livre (Terceiro Nome, S. Paulo 2013). A sua obra mais recente (World: An anthropological examination—Chicago, HAU books, 2017) reflete sobre as condições de possibilidade do gesto etnográfico e recebeu o Prémio Malinowski. Editou com R. Feijó e H. Martins A morte no Portugal contemporâneo (Querco 1984), com J.K. Campbell Europe Observed (Macmilan 1992), com A.P. Lima Elites (Berg 2000), com Fernando Gil O processo da crença (Gradiva 2004), com Clara Carvalho A persistência da história (ICS 2004), com S.M. Viegas Nomes (Almedina 2007), com F. Pine On the margins of religion (Berghahn 2008), com C. Toren The challenge of epistemology (2011), e com G. Bowman After Society (Berghahn 2020).

Interesses de investigação:
Pessoa, parentesco e família; religião, simbolismo e poder; etnicidade e condição pós-colonial; teoria etnográfica.

Academia.edu: https://kent.academia.edu/JoaoPinaCabral
Research Gate: https://www.researchgate.net/profile/Joao_Pina-Cabral/research
University of Kent:
https://tinyurl.com/2p85mrwu
ORCID:
http://orcid.org/0000-0002-7180-4407?lang=en
Email preferencial:
pina.cabral@ics.ul.pt

A antropologia possível

João Pina-Cabral
Instituto de Ciências Sociais
Universidade de Lisboa

Conferência inaugural APA-Évora Setembro 2022

Qual a antropologia que podemos querer vir a fazer? Esta palestra tenta dar conta da condição atual que confronta a antropologia como disciplina científica na conjuntura que estamos a viver hoje em Portugal, na Europa, no globo. Confrontados com o saber de que os piores excessos da história se repetirão e alertados mais uma vez para os rebombos de um possível apocalipse civilizacional, os antropólogos veem-se movidos a reconhecer na prática analítica o seu inevitável etnocentrismo—o fato de fazermos parte integrante da história em movimento. Ao mesmo tempo, na prática comparativista, somos levados a exercer mais e mais criticamente a vocação desetnocentrificante que resulta da crescente possibilidade de abarcar o pensamento sobre a condição humana dos melhores pensadores de todas as tradições analíticas de todo o mundo e de todos os tempos. Para isso, prevemos que só há uma saída possível para entender adequadamente o processo de diversificação que é a condição constituinte da socialidade e da vida: a prática da uma visão analítica que subordine a essência à existência; que subordine a semiótica à prática; que abrace a nossa condição humana no estudo da condição humana. Em suma, a antropologia possível será inevitavelmente, de um ponto de vista epistemológico, não-Ocidentalista e, de um ponto de vista metodológico, não-Orientalista. Tal implica uma prática etnográfica mais esforçadamente intensiva, que abrace de frente a sua condição como uma disciplina empírica de cariz científico. Na década que aí vem, a condição para a sobrevivência da antropologia, é saber ser surdo ao Canto da Sirene do virtualismo e da mediatização que a universalização da comunicação online tornaram lugares-comuns tão apetecíveis.

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P115 https://apa2022.apantropologia.org/p115/ Mon, 24 Jan 2022 18:37:04 +0000 https://apa2022.apantropologia.org/?p=1971 P115 Trabalho, concreto e abstrato: entre utilidade social e valor de mercado. Coordenador / Coordinator:Emília Margarida MARQUESCRIA – ISCTE/IULemddm@iscte-iul.pt Co-coordenador / Co-coordinator (se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory): Debatedor / Discussant (se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory):TBA Língua principal / Main language: Português / Portuguese (PT) Língua complementar / […]

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APA_VIII_Congresso_CARTAZ_Cinza_PT

P115

Trabalho, concreto e abstrato: entre utilidade social e valor de mercado.

Coordenador / Coordinator:
Emília Margarida MARQUES
CRIA – ISCTE/IUL
emddm@iscte-iul.pt

Co-coordenador / Co-coordinator
(se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory):

Debatedor / Discussant
(se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory):
TBA

Língua principal / Main language: Português / Portuguese (PT)

Língua complementar / Complementary language: Inglês / English (EN)

Língua de trabalho preferencial (não exclusiva) /
Prefered working language (not exclusive):
Português / Portuguese (PT)

Detalhes do painel na língua principal /
Panel details in main language
Título / Title
Trabalho, concreto e abstrato: entre utilidade social e valor de mercado.

Resumo curto / Short abstract
Tendo em mente a noção compósita de trabalho concreto e trabalho abstrato (Marx), o painel pretende interrogar os modos como a tensão entre o valor social do trabalho e o seu valor mercantil é articulada nas experiências quotidianas de trabalho e e vida.

Resumo longo / Long abstract
A pandemia iluminou nitidamente o trabalho concreto (Marx): exercício das capacidades humanas para responder a necessidades e anseios socialmente definidos. Os aplausos aos trabalhadores da saúde, ou a noção de “trabalhadores essenciais”, sublinham o trabalho como ação sobre o mundo, indispensável à vida individual e social. Mas é também clara a inserção desse mesmo trabalho numa economia política que o enquadra – e abstrai – enquanto produção de valor de troca. Basta ver como a captura mercantil das vacinas contra a Covid-19 vem restringindo o valor de uso do trabalho nelas objetificado.
Pensado com acento empírico nas práticas, experiências, relações e discursos de trabalho (situado este em qualquer ponto dos eixos pago/não pago, formal/informal, in/dependente, precário/permanente, presencial/remoto, em mono/pluriatividade, etc), o painel foca os modos como aquela tensão entre o trabalho concreto e a sua abstração mercantil se traduz no quotidiano vivido e refletido dos trabalhadores.
Que (des)articulações, materiais e discursivas, se observam entre utilidade social e valor mercantil do trabalho e do que produz? Que processos lhes dão forma? Como se relacionam elas com os eixos descritivos acima? Que nos podem ensinar, em antropologia, sobre a diversidade de modos e sentidos de vida no contexto do capitalismo contemporâneo?

Detalhes do painel na língua complementar /
Panel details in complementary language

Título / Title
Concrete and abstract labour: work and workers between social value and market value.

Resumo curto / Short abstract
Keeping in mind the compound notion of concrete and abstract labour (Marx), this panel aims to discuss the tension between the social value of labour and its market value, and the diverse ways it comes to be articulated in the labour experience and beyond.

Resumo longo / Long abstract
The pandemic has clearly illuminated concrete labour (Marx): work as the exercise of human abilities in order to fulfil socially defined needs and wants. People clapping for healthcare staff, or a phrase such as “essential workers”, certainly underline work as a meaningful action indispensable to individual and social life. But this same work is embedded in a political economy that frames – and abstracts – it as the mere production of exchange value; the commodification of Covid-19 vaccines, which curbs the use value of the labour objectified in them, is a case in point.
This panel approaches practices, experiences, relations, and discourses of work (located anywhere along the axes of paid/unpaid, formal/informal, in/dependent, precarious/permanent, on-site/remote, mono/pluriactive, etc.) to focus on the ways the tension between concrete work and its mercantile abstraction impacts the work experience and the workers’ lives.
What material and discursive (de-)articulations between the social usefulness of work and its mercantile value are observed? What processes shape them? How do these processes and (de-)articulations relate to the descriptive axes above? What can we learn from them, in anthropology, about the diversity of ways and meanings of life in the context of contemporary capitalism?

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P114 https://apa2022.apantropologia.org/p114/ Mon, 24 Jan 2022 18:32:15 +0000 https://apa2022.apantropologia.org/?p=1966 P114 Antropologia das Insurgências e Autonomias. Coordenador / Coordinator:Andrey FERREIRAProf. Adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJandrey2099@hotmail.com Co-coordenador / Co-coordinator (se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory):José Vicente MERTZDoutorando em Antropologia – ICS/ISCSP – Universidade de Lisboavicente.mertz@gmail.com Debatedor / Discussant (se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory):Cassio Brancaleone […]

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P114

Antropologia das Insurgências e Autonomias.

Coordenador / Coordinator:
Andrey FERREIRA
Prof. Adjunto da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ
andrey2099@hotmail.com

Co-coordenador / Co-coordinator
(se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory):
José Vicente MERTZ
Doutorando em Antropologia – ICS/ISCSP – Universidade de Lisboa
vicente.mertz@gmail.com

Debatedor / Discussant
(se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory):
Cassio Brancaleone
Universidade Federal da Fronteira Sul

Língua principal / Main language: Português / Portuguese (PT)

Língua complementar / Complementary language: Inglês / English (EN)

Língua de trabalho preferencial (não exclusiva) /
Prefered working language (not exclusive):
Português / Portuguese (PT)

Detalhes do painel na língua principal /
Panel details in main language
Título / Title
Antropologia das Insurgências e Autonomias.

Resumo curto / Short abstract
Procuramos nesse painel acolher trabalhos que tem como campo de estudo os processos de insurgências que questionam os modelos de expansão neoextrativistas e propostas organizacionais eurocentradas, mobilizando identidades étnicas e culturais, reelaborando significados e construindo autonomias autóctones mais ou menos fora do poder do Estado.

Resumo longo / Long abstract
A expansão do modelo de organização de território sob a forma do Estado nacional não ocorreu de forma pacifica, sendo questionados por diferentes formas de resistências, insurgências e autonomias em diversos espaços e momentos da história. Estes movimentos de resistência, majoritariamente protagonizados por populações indígenas e camponesas, longe de terem ficado restritos ao passado, continuam em pleno século XXI questionando os modelos propostos pelo capital e suas formas de organização política, construindo territórios autônomos fora do poder do Estado em meio a situações de insurgência e contrainsurgência. Dentro deste contexto, se destacam o levante zapatista de 1994 e a revolução de Rojava, no Curdistão Sírio, com ambos processos mobilizando identidades étnicas e culturais, reelaborando significados e servindo como base para novas propostas organizacionais. Além destas experiências, inúmeras lutas e experiências e autogoverno e autonomias indígenas mantém relações de complementariedade, ambiguidade ou antagonismo com as estruturas do Estado nacional, constituindo práticas de “autonomias no Estado” e “contra o Estado”, que devem se tornar objetos de reflexão antropológica. Procuramos nesse painel acolher trabalhos que tem como objeto de estudo estes processos de insurgências e construções de autonomias, que questionam os modelos de expansão neoextrativistas e propostas organizacionais eurocentradas

Detalhes do painel na língua complementar /
Panel details in complementary language

Título / Title
Anthropology of Insurgencies and Autonomies.

Resumo curto / Short abstract

Resumo longo / Long abstract
Departing from visual and sound researches, in this panel we want to evoke the forms of conciliating the analytical properties of words with the experiential cinematic language. In witch ways we can do ethnographic work with cinema and which cinematic languages do we choose? Going beyond the recording of verbal discourses imply finding new – allegorical and metaphorical – ways to edit and to do camera and sound work. MacDougall (2019) has been discussing the ethnographic films necessity to be centered in life as we experience it, defending a modality that evokes the sensorial and corporeal experience allowing for an immersion of the subjects and the filmmaker herself in the film’s world.
In recent observational work the author’s negation, associated with a humility attitude has been questioned as it hides the place of the one who films. In another scope, works as the one’s being developed in the Sensory Ethnographic Lab in Harvard reveal itself close to an experimental cinematographic attitude as the authors search for a kind of flux of life, away from any kind of anthropological agenda. The contemporary ethnographic attitude is even more centered in questions of agenciality using a dialogical and participatory practice that questions the idea of authorship and reality. The collaborative and participatory as well as the ethnofiction perspectives seem to be important tools to go further in representing the imaginary, the complex, hybrid and fantastic realities.

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P113 https://apa2022.apantropologia.org/p113/ Mon, 24 Jan 2022 18:27:59 +0000 https://apa2022.apantropologia.org/?p=1961 P113 Festas e carnavais em tempo de Covid-19. De ausências, transformações e resiliência.Fiestas y carnavales en tiempos de Covid-19. De ausencias, transformaciones y resiliencias. Coordenador / Coordinator:Aitzpea LEIZAOLAUPV/EHUaitzpea.leizaola@ehu.eus Co-coordenador / Co-coordinator (se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory):Paula GODINHOU Nova de Lisboap.godinho@fcsh.unl.pt Debatedor / Discussant (se aplicável, não obrigatório / if applicable, not […]

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P113

Festas e carnavais em tempo de Covid-19. De ausências, transformações e resiliência.
Fiestas y carnavales en tiempos de Covid-19. De ausencias, transformaciones y resiliencias.

Coordenador / Coordinator:
Aitzpea LEIZAOLA
UPV/EHU
aitzpea.leizaola@ehu.eus

Co-coordenador / Co-coordinator
(se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory):
Paula GODINHO
U Nova de Lisboa
p.godinho@fcsh.unl.pt

Debatedor / Discussant
(se aplicável, não obrigatório / if applicable, not mandatory):

Língua principal / Main language: Português / Portuguese (PT)

Língua complementar / Complementary language: Espanhol / Spanish (ES)

Língua de trabalho preferencial (não exclusiva) /
Prefered working language (not exclusive):
Português / Portuguese (PT)

Detalhes do painel na língua principal /
Panel details in main language
Título / Title
Festas e carnavais em tempo de Covid-19. De ausências, transformações e resiliência.

Resumo curto / Short abstract
No contexto de incerteza e enfraquecimento dos laços sociais por causa da pandemia, elementos e rituais da cultura popular foram reapropriados e reinterpretados. Com base em etnografias da festa em tempos de Covid-19, especialmente do carnaval, este painel convida-nos a refletir sobre o seu potencial como catalisador de resiliência social.

Resumo longo / Long abstract
A festa é por definição uma celebração fora do tempo comum, que estrutura um tempo e um espaço em que as regras da vida quotidiana são transgredidas, em que renovamos a nossa pertença e reconstruímos as nossas identidades de forma cíclica, repetitiva e coletiva. Desde Março de 2020, porém, temos vivido numa época em que as festas foram excluídas, e todas as celebrações públicas foram postas em espera. A pandemia perturbou todos os aspetos da vida social e enfraqueceu consideravelmente os laços sociais. No entanto, a necessidade de criar mecanismos para voltar a ligar o individual e o coletivo tornou-se evidente. Elementos da cultura popular, rituais ou atuações
artísticas que permitiram às pessoas partilhar estes momentos de incerteza com outros foram assim reapropriados e reinterpretados. Frente a sua ausência, as festas têm, a partir daí, encarnado com mais força valores coletivos onde as questões de identidade estão em jogo em diferentes escalas. Com base em etnografias da festa em tempos de
Covid-19, especialmente das festas de Inverno e carnavais, exercícios de imaginação política e resistência onde a crítica social é posta em jogo, este painel convida-nos a refletir sobre estas transformações e o seu potencial como catalisador de resiliência social.

Detalhes do painel na língua complementar /
Panel details in complementary language

Título / Title
Fiestas y carnavales en tiempos de Covid-19. De ausencias, transformaciones y resiliencias.

Resumo curto / Short abstract
La pandemia ha debilitado los vínculos sociales. Elementos de cultura popular como los rituales que permitieron compartir momentos de incertidumbre, han sido reapropiados y reinterpretados. A partir de etnografías de la fiesta en tiempos de Covid-19, especialmente el carnaval, este panel nos invita a reflexionar sobre su potencial como catalizador de la resiliencia social.

Resumo longo / Long abstract
A festa é por definição uma celebração fora do tempo comum, que estrutura um tempo e um espaço em que as regras da vida quotidiana são transgredidas, em que renovamos a nossa pertença e reconstruímos as nossas identidades de forma cíclica, repetitiva e coletiva. Desde Março de 2020, porém, temos vivido numa época em que as festas foram excluídas, e todas as celebrações públicas foram postas em espera. A pandemia perturbou todos os aspetos da vida social e enfraqueceu consideravelmente os laços sociais. No entanto, a necessidade de criar mecanismos para voltar a ligar o individual e o coletivo tornou-se evidente. Elementos da cultura popular, rituais ou atuações artísticas que permitiram às pessoas partilhar estes momentos de incerteza com outros foram assim reapropriados e reinterpretados. Frente a sua ausência, as festas têm, a partir daí, encarnado com mais força valores coletivos onde as questões de identidade estão em jogo em diferentes escalas. Com base em etnografias da festa en tempos de Covid-19, especialmente das festas de Inverno como o carnaval, exercícios de imaginação política onde a crítica social é posta em jogo, este painel convida-nos a refletir sobre estas transformações e o seu potencial como catalisador de resiliência social.

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